O Vazio Que Fica do Tempo Quando Pausa (2020)

Técnica: Sobreposição em fotografia digital

 

Na obra "Touch" (2016) o ato de tocar alguém é uma representação estética da intimidade criada entre o fotógrafo e o fotografado durante o retrato, no qual os dois tornam-se um por alguns instantes; parceiros conectados somente pela câmera. Uma investigação sobre esta confiança instatânea e necessária, uma vez que um retrato é um acordo mutuo: é uma conexão de troca.

 

Passados quatro anos, em meio aos primeiros meses de uma pandemia na qual ainda havia muita desinformação e medo; onde uma das principais medidas de proteção é justamente o não-tocar, rememoro e ressignifico o mesmo ensaio, porém a partir do vazio e da solidão do isolamento. Aqui, não há mais o outro para a concretizar a conexão de um retrato. Assim, são retratadas apenas as minhas próprias mãos, num misto de desejo e medo ao imaginar tocar o outro.